A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Rio Grande do Norte (Fecomércio RN) e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) firmaram, nesta segunda-feira 20, uma parceria para realização de testes laboratoriais em bebidas comercializadas no Estado, com o objetivo de detectar a presença de metanol e assegurar a saúde dos consumidores.
A ação integra o programa “Bebida Segura”, que tem como objetivo garantir a qualidade dos produtos e evitar riscos de intoxicação por metanol. O acordo prevê a realização de análises laboratoriais em amostras coletadas em estabelecimentos cadastrados. As empresas associadas aos Sindicatos do Comércio Atacadista (Sincad) e do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios (Sincovaga), filiados à Fecomércio RN, poderão aderir ao programa de forma voluntária. Cada teste custará R$ 196,20.
A iniciativa ocorre em meio aos casos de intoxicação registrados palo País afora. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil soma 46 casos confirmados de intoxicação, com 8 mortes (6 em São Paulo e 2 em Pernambuco). Outros casos estão em investigação. Não há nenhum caso no Rio Grande do Norte.
O presidente da Fecomércio RN, Marcelo Queiroz, destacou que o acordo une esforços entre o setor produtivo e a academia em prol da segurança alimentar. “Tanto a Fecomércio como a Universidade estão preocupados com a saúde da população. Essa parceria vai fazer os testes com os produtos. A Federação do Comércio vai ser a entidade responsável por coletar nas empresas, levar para a Universidade e depois trazer de volta para as empresas”, explicou.
Segundo ele, as empresas interessadas em participar devem se cadastrar no site da Fecomércio RN, informando o desejo de integrar o programa. “A Fecomércio vai pegar todos os dados, vai na empresa, pega o material, codifica para que não apareça o nome do supermercado ou do distribuidor e leva para a Universidade. Lá, quando a Universidade terminar, traz de volta, entrega os produtos e passa o resultado para a empresa”, detalhou.
As coletas serão feitas pela Fecomércio e encaminhadas, de forma codificada, ao laboratório da Universidade, que realizará as análises utilizando tecnologia de ponta. Caso seja detectado metanol em níveis excessivos, a entidade comunicará imediatamente à Vigilância Sanitária e aos órgãos competentes.
O coordenador do Laboratório de Combustíveis e Lubrificantes (LCL-UFRN), Valter Fernandes, explicou que as análises serão realizadas por meio de cromatografia a gás, uma técnica altamente sensível. “Nós vamos receber as amostras codificadas, vamos analisá-las, e é uma técnica extremamente sensível. Não apenas ela mostra se há ou não presença de metanol, como quantifica também”, afirmou.
Segundo Fernandes, a instrução normativa nº 13/2005 do Ministério da Agricultura e Pecuária estabelece o limite máximo de 20 miligramas de metanol por 100 ml de álcool anidro. “Quando chega a 50% acima disso, você pode ter cegueira e, em concentrações um pouquinho maiores, pode ter problemas no sistema nervoso central, inclusive chegando ao óbito”, alertou.
O professor explicou que pequenas quantidades de metanol podem ocorrer naturalmente em bebidas alcoólicas, devido à oxidação da pectina presente nas cascas de frutas durante o processo de produção. “É possível ter metanol em bebidas alcoólicas, mas em concentrações muito baixas”, disse. Ele destacou ainda que o laboratório da UFRN já possuía expertise em análises de metanol em combustíveis, o que facilitou a adaptação do método para o controle de bebidas.
O reitor da UFRN, José Daniel Diniz, ressaltou a relevância do acordo diante das recentes ocorrências de intoxicação por metanol registradas no país. “A população está muito apreensiva com os casos de danos graves à saúde ou até mortes de algumas pessoas em nosso país”, frisou. “No nosso acordo, prevemos um prazo de até cinco dias, mas o nosso trabalho será para identificar e entregar os laudos em até dois dias úteis”, afirmou Diniz.

Até 30% dos supermercados devem participar do teste de bebidas no RN
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios (Sincovaga), Geraldo Paiva, também destacou a importância do projeto. “Para os mercados isso é muito bom, porque eles já trabalham com produto direto da indústria ou de um distribuidor autorizado. Isso vem para garantir ao consumidor que ele vai estar comprando um produto de qualidade”, afirmou.
Paiva acrescentou que aproximadamente 20% a 30% dos supermercados filiados, que somam mais de 200 lojas, devem participar da iniciativa. “Os nomes das empresas que vão participar vão ser divulgados exatamente para dar segurança ao consumidor”, completou.
Para o presidente do Sindicato do Comércio Atacadista do RN (Sincad), Elias de Azevedo, a iniciativa traz confiança ao setor. “É importante mostrar a todos que o produto é seguro e que aqui no nosso estado a gente não tem tido casos de contaminação por metanol”, declarou. Ele estima que cerca de 20% das 40 empresas que atuam na venda de bebidas no estado devem aderir ao programa.




